"É tão estranho os bons morrem antes, assim parece ser quando me lembro de você"
Renato Russo
Tudo começou com um “Eu não quero mais nada”, dizendo isso ela caiu aos pés dele e depois disso, a noite foi uma correria interminável. Estava levando a mãe para um pronto socorro, pois ela estava desacordada, e ele viu quando aconteceu me pediu pra ir atrás de ajuda e tivemos nosso desejo atendido prontamente, não temos nem como agradecer o apoio recebido.
A preocupação tomou conta dos que ficaram esperando notícias... Existia uma esperança, ela já tinha idade avançada, alguns problemas de saúde, mas não esperávamos de modo nenhum o pior. Mas foi o que aconteceu. Ele chegou a casa, com lágrimas nos olhos, virou-se para o pai e disse “Não teve jeito”; conhecia a família, pois era o chefe dela, e já trazia uma caixa de calmantes na mão... Entrou dentro de casa, abraçou-me, lavou o rosto e começou a espalhar a má notícia... A esposa não suportava coisas assim, quem é que suporta?
Não me lembro de ter chorado, até agora não o fiz, dizem que isso ainda vai acontecer, mas eu já estava vendo muita gente chorar, não consegui realmente, não sei o que fiz com a tristeza que carregava talvez ela ainda esteja aqui...
Ele ficava encarregado de avisar a todos, sempre a mesma coisa – como foi? – e ele explicava calmamente – quando será? - e a paciência e a força que eu não sei de onde saiam tomavam conta das suas palavras...
A madrugada foi entrando e passando rápido, ele não queria dormir, queria tomar conta de tudo e de todos. Viu a chegada dos irmãos ainda durante a madrugada, entre eles o filho mais novo entre os homens que não via a mãe há quinze dias. Abraços, choro e um ar que não era o que ela mais gostava nada tinham haver com a cantoria, risadas, gargalhadas.
Não pediu ajuda em nada, resolveu tudo sozinho, passou o domingo tratando desses assuntos que já deveriam ser resolvidos por si só com no máximo um único telefonem, mas não é assim. Eu via chegar todos aqueles que gostavam dela e que vieram pra se despedir, não era um dia bom, não mesmo... Era um dia pesado, um dia como um dia de chuva sem doces, preso dentro de um quarto sem nada pra fazer, era um dia assim.
Na segunda pela manhã, na saída do cortejo, ele ainda não havia chegado com os papéis, só faltava ele, que tinha estado ao lado dela durante toda a vida, que tinha cuidado dela, desde aos quatorze anos, quanto teve que vir para a cidade grande pra cuidar da mãe que estava doente. Ele chegou sereno, seguiu o cortejo e ao chegar ao cemitério, na última despedida, ele se afasta e chora. Todos impressionados com a cena chegam pra consolar, o pai, o tio – esse com palavras do tipo - Você é forte Zé! – e ele limpando o rosto das lágrimas que quase não caíram durantes as últimas horas diz - “é que só agora deu tempo!”.
Saudade vó!
Mesmo domingos tristes de chuva e sem doce, não sao tão nublados quanto aqueles dias...
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