sábado, 12 de abril de 2008

Talvez

“Meu bem qualquer instante que eu fico sem tiver, aumenta a saudade que eu sinto de você”

...Ouçam na voz de Adriana Calcanhoto,
olhando para alguém muito importante
e no volume máximo...


Eu fiz assim.

A Doutora veio se consultar comigo e antes de qualquer palavra dela eu dei o diagnostico - Tu ta grávida!

Ela se assustou e disse que não, mas eu fui pertinente, era uma certeza, certeza plena e mandei ela fazer um testes desses de farmácia... Ela riu e me disse, eu trabalho em um hospital, amanhã faço um exame e pronto, tiro essa cisma boba sua...

Cisma boba nada, perguntei se ela preferia menino ou menina e outras perguntas de praxes que se faz nessas horas, pra que a pessoa se acostume logo com o estado interessante... Mas ela não acreditava que podia ser...

No outro dia era...

Viajou para encontrar o marido e contar a novidade (novidade nada, eu já tinha avisado) ele, contam que ficou bobo, babão, chorão... Tudo no sentido original das palavras... Exatamente assim...

Quando a Doutora e eu nos encontramos de novo, ela me chamou de profeta... Mas ela não vai fazer isso de novo... Algumas coisas eu simplesmente sei...

Além dessas certezas, tivemos muitas novidades essa semana; pediram-me pra comentar, mas vou esperar um pouco...

Mas a única coisa que me preocupa de fato é: Que nome terá?

Para Ana: É desse seu entusiasmo que eu chamo virtude que agora me espelho, pois toda essa energia me contagiou, de forma que com atarexia ou não, o que restou foi a espera do momento em que não seremos só nós dois.

Peço a benção àquela que poderia ser a mãe da mulher que eu tanto amo e estimo, pois é dessa força que ela vai precisar... Mesmo que o nosso mundo seja só nosso, ela vai querer ver o que está acontecendo do lado de fora para saber como estão os olhares dos outros... mas imagino que saiba o que penso desses olhares... Cheguei a pensar se imaginaram que sou tão irresponsável como aparentei esses dias e peço desculpas por isso, pois o tempo todo eu só queria que tivessem a certeza de que será o momento mais feliz da minha vida...

Talvez, mas só talvez, o Anjo tenha descuidado da confiança de poucas pessoas importantes, mas é só talvez, porque eu não conseguiria explicar a felicidade que me traz essa possibilidade tão real...

Amo muito!

domingo, 6 de abril de 2008

Só agora deu tempo

"É tão estranho os bons morrem antes, assim parece ser quando me lembro de você"
Renato Russo
Tudo começou com um “Eu não quero mais nada”, dizendo isso ela caiu aos pés dele e depois disso, a noite foi uma correria interminável. Estava levando a mãe para um pronto socorro, pois ela estava desacordada, e ele viu quando aconteceu me pediu pra ir atrás de ajuda e tivemos nosso desejo atendido prontamente, não temos nem como agradecer o apoio recebido.

A preocupação tomou conta dos que ficaram esperando notícias... Existia uma esperança, ela já tinha idade avançada, alguns problemas de saúde, mas não esperávamos de modo nenhum o pior. Mas foi o que aconteceu. Ele chegou a casa, com lágrimas nos olhos, virou-se para o pai e disse “Não teve jeito”; conhecia a família, pois era o chefe dela, e já trazia uma caixa de calmantes na mão... Entrou dentro de casa, abraçou-me, lavou o rosto e começou a espalhar a má notícia... A esposa não suportava coisas assim, quem é que suporta?
Não me lembro de ter chorado, até agora não o fiz, dizem que isso ainda vai acontecer, mas eu já estava vendo muita gente chorar, não consegui realmente, não sei o que fiz com a tristeza que carregava talvez ela ainda esteja aqui...

Ele ficava encarregado de avisar a todos, sempre a mesma coisa – como foi? – e ele explicava calmamente – quando será? - e a paciência e a força que eu não sei de onde saiam tomavam conta das suas palavras...

A madrugada foi entrando e passando rápido, ele não queria dormir, queria tomar conta de tudo e de todos. Viu a chegada dos irmãos ainda durante a madrugada, entre eles o filho mais novo entre os homens que não via a mãe há quinze dias. Abraços, choro e um ar que não era o que ela mais gostava nada tinham haver com a cantoria, risadas, gargalhadas.
Não pediu ajuda em nada, resolveu tudo sozinho, passou o domingo tratando desses assuntos que já deveriam ser resolvidos por si só com no máximo um único telefonem, mas não é assim. Eu via chegar todos aqueles que gostavam dela e que vieram pra se despedir, não era um dia bom, não mesmo... Era um dia pesado, um dia como um dia de chuva sem doces, preso dentro de um quarto sem nada pra fazer, era um dia assim.

Na segunda pela manhã, na saída do cortejo, ele ainda não havia chegado com os papéis, só faltava ele, que tinha estado ao lado dela durante toda a vida, que tinha cuidado dela, desde aos quatorze anos, quanto teve que vir para a cidade grande pra cuidar da mãe que estava doente. Ele chegou sereno, seguiu o cortejo e ao chegar ao cemitério, na última despedida, ele se afasta e chora. Todos impressionados com a cena chegam pra consolar, o pai, o tio – esse com palavras do tipo - Você é forte Zé! – e ele limpando o rosto das lágrimas que quase não caíram durantes as últimas horas diz - “é que só agora deu tempo!”.

Saudade vó!

...ao acaso