quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O teu dom é falar de amor

Ter um dom. Exatamente isso, qual é o seu dom? Todos temos um. Pense um instante. Descubra qual é o seu. Penso que seriam necessárias várias horas, talvez vários dias pra descobrir, mas em alguns casos ele está aí. Evidenciado no jeito como fala e como ri. No jeito de como fica quando chora. Um dom.

Dom: do Latim donu é presente, dádiva; dotes naturais; mérito, merecimento; privilégio; poder; faculdade; condão, aptidão.


Ainda não encontrou, continue procurando... Temos tempo. Sempre temos. Talvez você tenha deixado o seu em algum canto, perdeu-se no passado, ou ele só aparecerá no futuro. Quem sabe? Ainda não encontrou. Não é isso que está aí não?

Não está vendo? Claro! Você mesmo não percebe. Precisam mostrar antes. É como um defeito, só que às avessas. Você não percebe o que tem de ruim. Assim como não percebe o que tem de bom. Se percebe, talvez não sirva pra muita coisa, pois presentes são dados a quem merece. Quando não se merece o presente não tem muito valor, se desvaloriza com o tempo ou não é bem o que tu queria.

Fui dado de presente a ela e ela a mim. Ela é o que tenho de melhor. Ela não sabe, mas me ensinou muito nos últimos dias. Vários dias...

Normalmente temos ciúme do nosso presente. É normal ter cuidado com o que é nosso. Mas não vamos nos contradizer... Isso não é um contrato... Isso é um dom. O amor é um dom. Por isso, só por isso, talvez tenhamos direito de dizer, você é minha eu sou seu. Não há ninguém pra tomar os nossos lugares.

Na noite de ontem falavamos mais uma vez de ciúme, contei a Doutora o que me incomodava e ela tinha mais uma vez o remédio. Hoje falei com o Anjo Rosa, ficamos conversando como fazem os amigos, não falamos nada com nada e mesmo assim tivemos horas maravilhosas.

Os monges não estão mais aqui. A Lolita voltou a dar o ar de sem graça e eu menti quando disse que não tinha dó de ninguém, nunca. Tenho dó do fruto daquele ventre, porque não pode se defender e não tem ninguém por ele, não digo que ela fará mal, só que se ele for um décimo do que ela é, isso sim me preocupa.

E pensando em fruto, de que sabor doce é o fruto do ventre da Doutora? Lembrei-me do dia em que conversei com ela, acho que era uma prosa de morango com leite. Que doce! Que complicada também! "Vamos manter o português por aqui?!"

Pronto! A essa altura você já encontrou o seu não é? Ainda não! Começo a me preocupar com você. Vamos, olha direitinho, tem que estar aí... E então? Já sei! Pode fazer um pequeno exercício: Quantas vezes sorriu hoje? Não sorriu. Ops! Sorri não é lá um de seus hábitos. Chorou? De alegria? Não! Que coisa einh! Não estamos indo bem.

Vamos tentar outra coisa. Lembrou-se de alguém com alegria, extrema alegria, alguém que você tenha feito algo por ele e que provavelmente você tenha sido a razão pra que ele tenha continuado no caminho certo. Isso! Isso mesmo! Encontrou. É o dom da vida, não se assuste, todos temos. É só cuidar direito. É assim que fazemos, a Fada e eu.

Ela mesmo o diz: "Quando a magia se perde ficamos nós também perdidos, porque nos sentimos abandonados pelo outro que parece seguir em paz como se nada houvesse ocorrido, pobre coração adulto que não vê que o outro ainda é criança, e que amor do outro ainda vive do pulsar de cada momento, nos irritamos e pouco a pouco fazemos também sofrer o outro, então é preciso renascer no amor, e nessas horas precisamos mesmo da força do outro mas nem sempre ele será assim tão forte, é preciso olhar pra trás e ver tudo como era tudo como sempre deve ser..."

Recebemos esse presente e somos os únicos responsáveis por ele. Mas existem pessoas irresponsáveis querendo estragar o presente dos outros. A elas diremos: é meu, cuide do seu. Seremos egoístas por proteção. Para que de modo algum, descuidemos de quem amamos. Vamos gritar, berrar, solte tudo que está dentro, se ainda assim não encontrar o teu dom, talvez ele esteja no teu silêncio.

E assim como dizia o Amarante "...ninguém dirá / Que é tarde demais / Que é tão diferente assim/ Do nosso amor / A gente é quem sabe, pequena".

E onde está o Franz nessas horas? Onde está todo mundo! Às vezes me esqueço como é que se faz pra chorar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Dolores, Lola, Lolita

"Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial. Num principado à beira-mar. Quando foi isso? Cerca de tantos anos antes de Lolita haver nascido quantos eu tinha naquele verão. Ninguém melhor do que um assassino para exibir um estilo floreado. Senhoras e senhores membros do júri, o item número um da acusação é aquilo que invejavam os serafins - os desinformados e simplórios serafins de nobres asas. Vejam este emaranhado de espinhos. "

Vladimir Nabokov

Não li o romance. Não sei se lamento ou não. Assisti ao filme. Talvez não tenha dado a devida atenção a ele. Sei que não lamento. Lolita é um nome que tem segredos, tem medos, tem angústias. Ao contrário do que pensava, não é forte, talvez a pessoa que carregue também não seja... é apenas um talvez.

Lolita: é diminutivo de Dolores que quer dizer dores, pesares.

Ela apareceu um dia de manhã quando eu e a Fada ainda éramos só amigos (hoje somos mais que amigos), ela me impressionou com a força das palavras e juro, achei que seria uma amiga nova. Mas ao contrário disso ela começou a me jogar contra a Fadinha, não sabia porque, não entendia, mas ela fazia e cada vez mais veemente... E encontrei apenas uma palavra pra isso. Mas lógico, ela não concorda com nada que digo. Nem com o que sou, ou faço.

Ela me confidencia algumas coisas esporadicamente... me faz perguntas, me persegue... e foge. Sente-se culpada, assume a culpa, pede perdão e foge. Mas ultimamente tem encontrado a paz (pelo menos espero). Acredito que ela, assim como a antiga amiga, viveram a história de Dolores. E lamento muito por isso, mesmo sem conhece-lo, lamento profundamente. Isso não se faz.

Ela tem uma maneira estranha de resolver as coisas, provoca, tenta fazer por bem, mas magoa e muito. Nunca a vi e nem quero fazer isso, prefiro assim. Ela já foi amiga da Fada, mas não soube preservar isso. Gosta da Fada, eu sei, mas é meio estabanada com essas coisas. Ela se preocupou com o sofrimento alheio, tinha razão, lia isso nas entrelinhas, eu não sabia, mas faço o melhor que posso e acredite, se não for eu, quem será? Conversamos e ela tinha medo, preocupada, procurava uma solução... encontrou... Decidiu pela vida. Parabéns, sinceramente. Sabe que temi por essa vida, assim como temo pela verdade desse relacionamento que me descreve. Espero hoje, que assim como errei no primeiro, esteja errado no segundo também.

LøLµT@ é vaidosa, fala isso aos quatro cantos, sem pestanejar, a Fada confirma essa beleza, já me disse isso e creio que a Doutora também, mas a isso o amigo das cartas diria: "Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos."

Uma vaidade que me assustou, não entendia a razão para aquela maneira de se tratar, realmente não precisava disso... me enganou algumas vezes, algumas não, várias, confesso que é esperta... mas ainda acredito que ela tem jeito. Não acredito que ela possa ser tão má quanto aparenta, afinal de contas LøLµT@é seu nome, e ela carrega a inocência consigo.

Se perdeu a inocência, não há como encontrar, inocência é coisa que quebra e não há como juntar os pedaços, espero apenas que ela recupere o juízo, e que tenha responsabilidade, considerando que terá uma logo em breve que merece cuidado.

Me recordo do dia em que conversamos, você, a Fada, o teu Professor e eu. O que foi aquilo? Troca de ofensas, vi vocês brigarem por nada, vi a Fadinha rindo pelas respostas que eu te dava. O susto ao descobrir que realmente estávamos juntos... Por que as coisas são assim? Por que nos tratamos assim? Talvez tudo isso nem interesse mais, mas aprenda uma coisa, não me esqueço de nada que tenha dito por isso diga coisas boas e será recompensada, não por mim, mas por alguém que é maior que nós todos. Dias atrás quando voltamos a nos falar, fiz isso pensando em tentar entender por que você fazia o que eu chamava de "maldades", não entendo ainda, mas já sei que sabia mais que eu. Quando conversamos naquele dia me senti mal por ter voltado a falar contigo e tu não tinha mudado nem um pouco, não aprendeu nada e não existe diferença no que digo, nunca.

15/8/2007 01:37:32 LøLµT@ diz: e não consegue, mude uma opinião e mudará a minha...
15/8/2007 01:38:38 Åŋﮊo diz: não vou fazer nada... vou ver todo mundo quebrar a cara, como estão fazendo aos pouquinhos...

Lutei e venci, luto e procuro a vitória sempre, tu foi minha adversária várias vezes... Contra ti não venci, tivemos tréguas... Sem fazer nada consegui e agora? Eu mesmo respondo, tu volta e faz as mesmas perguntas de sempre, porque nunca vou te convencer e criamos esse hábito terrível de não acreditar em nada do que dissemos, espero mesmo poder ter outra conversa sem tocar nesses assuntos que nos tornam o que nos tornamos.

O Åŋﮊo rezou pelo fruto do teu ventre, porque temia o pior, considerando a maneira que tu me contou, mas agora rezo pra que esse fruto seja amado e que receba uma educação que o torne humilde... A arrogância tu anda não perdeu. Não sei o que sinto por ti. Mas acredite, não quero o mal, quero o bem.

E eu realmente não sei de onde vem a bondade da Fada, mas não creio que seja humilhação, creio mais na lembrança do relacionamento que já foi amistoso um dia.

E vou guardar o dia em que tu cantou o Telegrama do Zeca... Vi uma pessoa boa naquele dia. Prefiro acreditar nessa LøLµT@ pra cuidar da Clara ou de quem quer que venha por aí.

Emular

"Depois de algum tempo você aprende a diferença... a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. (...)
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... "

William Shakespeare

Muitas vezes você tenta entender o que acontece com a confiança das pessoas em você. Hora você é a pessoa mais importante do mundo, hora você não serve para olhar a fervura do leite. O que te faz descer do pedestal?
Tudo sempre volta ao normal, mas enquanto não acontece, começo a perceber que as verdades doem quando não sabemos que elas são mesmo verdades. E são piores quando são ditas em momentos de indelicadeza plena.

Emular: do Latim aemulari é imitar por emulação; ter emulação de alguém; rivalizar, competir com alguém, invejar, ciumar.

Esse zelo que transborda, que exagera e nos transforma em angustiados por não saber o que fazer, o que está acontecendo, quem nos vigiará? Quem queremos suplantar? Há algumas semanas perdi o foco, não sabia o que fazer por ter coisas de mais a fazer, não me organizava e isso te fazia sofrer... Ao invés de carinho, te dei dúvidas, muitas... e mais uma vez sinto, entretanto tu percebeu que eu falava a verdade (mesmo que eu não seja muito adepto do metodo que tu usou pra isso), mas certamente os poderes da fada e o aval do Doutora me fazem crer que estive mesmo disperço.

Gostaria de saber a opinião do Anjo Rosa nesse momento, ela que é tão ciumenta quanto a Fadinha... Seria divertido ter mais alguém contra mim... Assim seriam 4x1... E eu o único com a razão... Já que mais uma vez estou perdoado por não ter feito nada.

Pra me darem razão basta vir aqui... Nas minhas coisas e ver o quanto eu tenho estado aqui... Vejam como já não mexo aqui como antes... as obrigações são maiores a cada dia... Confesso que gosto muito daqui!

Não falo com meu amigo que escreve cartas há muito tempo, não falo com Franz e nem com o principezinho, com Samsa, Raskolnikov e nem Alexi o fervoroso cristão... Mas conheci um monge que já foi executivo... ando aprendendo muito com ele. E por falar em monge, no domingo enquanto eu e a Fada caminhavamos na feira encontramos quatro deles jogando poker. Eu os trouxe para jogar aqui em casa, rio sempre quando olho para eles. Como são gordos!?!?!!?!?

E falando do meu amigo das cartas: " Com efeito, enquanto houver entre vós ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um modo totalmente humano? Quando, entre vós, um diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é isto modo de pensar totalmente humano? Pois que é Apolo? E que é Paulo? Simples servos, por cujo intermédio abraçastes a fé, e isto conforme a medida que o Senhor repartiu a cada um deles: eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer.
(...) Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente e o futuro. Tudo é vosso! Mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus. "

Ele realmente sabe das coisas. Somos humanos de mais às vezes. O Åŋﮊo e a Fada com a ajuda da Doutora se lembraram disso. E é por inveja que não entendemos a bondade dos outros não é?

Nossas almas se deram as mãos há muito tempo. Muito antes de nós naquele estalar de dedos.

...ao acaso