quinta-feira, 28 de junho de 2007

- Prato indigesto

O Å ŋ ﮊ o saiu pra almoçar hoje, estava acompanhado de duas pessoas, mas pensando bem era melhor ter almoçado sozinho...

Não conhecia nenhuma delas e durante o almoço era inevitável não ouvir o que elas falavam, conversavam como se o que diziam fosse um segredo, falavam de uma vida que não era a delas, eram comentários que não iria acrescer em nada o intelecto, e os comentários foram feitos. Vá saber por que se fala da vida dos outros, a vida dos outros não é a nossa, então vamos deixar os outros em paz. Pronto, é isso!

Mas o que estou dizendo, falando de duas pessoas que nem conheço para expressar meu descontentamento com a fofoca, estou fofocando, Deus me perdoe... Que coisa feia... a questão é: Isso pode ser evitado?

A vida alheia não deveria incomodar tanto como incomodam alguns, a coisa é tão sem sentindo, que a fofoca normalmente é pronunciada em segredo, com cuidado. Um cuidado que não se tem nem em respeito ao sono... As pessoas começam a falar baixo e assim ninguém poderá ouvi-las, mas se esquecem da consciência... Outros não fazem questão de esconder o que estão falando, não é a vida deles que estão publicando mesmo.

O apostolo dos gentios certa vez comentou "Com efeito, por que razão seria regulada a minha liberdade pela consciência alheia?" e não é que ele está certo, por que eu tenho que me preocupar com o que os outros pensam de mim, com o que eu faço se eu mesmo posso fazer isso?

Consciência do Latim conscientia é verdade; honestidade; retidão; honradez.

Todos são livres pra fazerem o que quiserem cada um tem a consciência que limita os seus atos, se não posso ajudar, se não vou ajudar, se não vou melhorar em nada a vida do "vizinho", por que comentaria o fato? E o que me deixa triste é que essa doença é um mal que assola até as pessoas que nós amamos, quem não tem um parente fofoqueiro? As pessoas fazem tanta questão de revelar a vida dos outros que se sentem mal em não fazê-lo e isso é verdade... Volta e meia em alguns ônibus da nossa cidade encontramos comadres com hora marcada pra falar da vida dos outros, não só ônibus como também praças, portões, botecos, salões de beleza...

O problema é que quando o ócio é constante na nossa vida, precisamos nos ocupar e como não há nada de interessante e capaz de chamar a nossa atenção, passamos a nos interessar pela vida dos outros. Ora, quanta bobagem, se a vida é o dom mais precioso que temos, porque não cuidamos dela, com certeza existem pessoas com melhor qualificação para cuidar de uma vida que não é a sua e não se assuste quando descobrir que a melhor pessoa pra cuida de uma vida é o próprio dono dela.

Falar dos outros pode e deve ser evitado. Não creio que quem faz fofocas não tenha nenhum problema a resolver, todos temos, uns mais outros menos, mas temos... Vamos resolver os nossos problemas.
As pessoas tratam a vida dos outros como pratos, quanto mais coisa se sabe maior é a variedade dentro do prato, pra depois poder degustar com um outro alguém... Só que o prato não é pra você, o seu já está à sua mesa... Mas parece que o do outro é mais gostoso e você se convence disso e acaba não desfrutando do seu próprio prato.

terça-feira, 26 de junho de 2007

- Velhas coisas de coisas velhas e essa tal responsabilidade

Hoje o Åŋﮊo se encontrou com uma velha amiga e como velhos amigos fazem contaram coisas velhas, coisas velhas de quando eram novos... Aquelas coisas que te envergonhava quando você era novo e que agora só de lembrar te emociona, seja rindo ou chorando, sabe do que estou falando? Isso mesmo, estou falando do tempo em que as responsabilidades eram outras...

Responsabilidade: do Latim responsabilitate é a obrigação de responder por certos atos próprios ou alheios ou por alguma coisa que lhe foi confiada.

O que sentiu agora? Viu quanta coisa está reservada agora a ti e que antes não estava? Eu percebi isso hoje ao rever essa velha amiga... Um nobre amigo chamado Paulo de uma cidade chamada Tarso escreveu em uma Carta a uma comunidade que lhe queria muito bem chamada Corinto algo como "Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança", ora por que eliminar as coisas de criança Paulo de Tarso?

As coisas de criança que ele diz são as responsabilidades de criança.

E desde quando criança têm responsabilidade? Tenho pena do ser humano que ela se tornará se não tiver. Hoje estavamos rindo de brigas, conversas, atos que dificilmente teriamos novamente. Existem dias em que acordamos e que nada parece estar certo... é uma sensação, uma certeza, não sei dizer, o que sei mesmo é: existem pessoas que não foram responsáveis em nenhum momento na vida e ainda hoje não o são, não deixaram de pensar e agir como criança, não vêem que não são mais anjinho adoraveis e que seus atos irresponsáveis não são tão engraçados, não usar a razão não é lá coisa que se deva dar algum mérito, diversas correntes por aí dizem pra girar o botãozinho e ser feliz, não somos máquinas, não existem nennum botãozinho...

Tantas pessoas se esforçam pra ensinar aos filhos que algumas coisas não são permitidas ou não são apropriadas e outras tantas fazem o contrário, não dão aos filhos nada, nem carinho, nem atenção e nem são responsáveis por eles.

Falavamos de um tempo em que anjos e demônios viviam correndo e gritando na hora da merenda. Os anjos eram os garotinhos e garotinhas que antes de sair de casa receberam lições de como se comportar, os demônios são aqueles que receberam, mas não ouviram direito...

Ser lembrado como o capetinha pela infância não é nenhum problema; o problema é carregar essas caracteristicas hoje em dia sem o diminuitivo. Ser lembrado assim pelas pessoas que sabem que de fato você não é uma pessoa boa. E o que tem a responsabilidade com isso...

A responsabilidade torna a pessoa boa, porque se é responsável sabe que precisa tomar conta das outras pessoas, principalmente das crianças para que um dia essas crianças, se tornem velhas e possam se encontrar com velhas amigas que já foram novas e que conversem sobre os anjos e demônios da hora da merenda.

...ao acaso