sábado, 22 de dezembro de 2007

Desejos

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga
Isso é meu,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Foi complicado escolher partes desse texto para desejar às pessoas que amo, às que não amo e às que não são nem uma coisa ou outra, por isso coloquei-o inteiro.


Desejo do Latim desediu é apetite; cobiça; anseio; propósito; intuito.


Obrigado a todos que de algum modo fizeram parte da minha vida, seja amando, odiando ou apenas trombando em mim, agradeço ainda àqueles que me fizeram forte.


Lamento por aqueles que quiseram te tirar de mim mais uma vez.


E amo-te por tudo e, também, por estar ao meu lado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Hoje, a tarde, foi um dia bom!

"Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom"

Renato Russo

E como foi meu caro. Hoje a tarde fui me encontrar com a Fada. Mas antes disso caminhei pela Cidade. Eram onze horas da manhã. Tranquei todos os portões como dizia o aviso pregado na porta. Fui para o ponto de ônibus, não esperei nada, cheguei junto com ele. Entrei, rodei a roleta e fui até a Cidade. E descobri que percebo bem os outros, mas não percebo a mim mesmo.
Perceber: do Lat. percipere adquirir conhecimento de, por meio dos sentidos; entender; compreender; formar ideia de; ver; ouvir; distinguir; divisar.

Há algum tempo se me perguntavam como eu estava, eu era categorico em dizer: "Sempre bem". D
izia isso, porque independente do que sentisse no momento, não me abriria pra contar. Ando vivendo todos os meus dias em função de outros, e o meu agora está desaparecendo, ficando mais curto. Nesse ritmo, penso que ele se aborrecerá e sumirá. Por isso, decidi ontem a tarde que hoje iria passar pelo menos duas horas com a Fada.

Resolvi fazer isso, porque ela é o meu presente. Mas o pior é saber que sempre ficamos sem saber se o que escolhemos é a melhor opção para aquele momento. Talvez tu estrague planos. Talvez estrague supresas. Talvez estrague belas amizades. Talvez não estrague. Talvez estrague tudo.

Poder decidir é muito bom. É a liberdade que o Grande Inquisidor tanto detesta, mas existe uma desvantagem. Você nunca terá a mesma situação. Então se escolhe errado, poderá mudar a opinião, mas nada será como outrora.

Hoje, a tarde foi um dia muito bom. Estive com ela. Nós que nos encontramos em dias predeterminados, nos encontramos, nos abraçamos, nos beijamos, almoçamos juntos no lugar que você gosta, a comida que você gosta com o garçom da língua presa.
Consegui me lembrar que dia é hoje sem precisar do calendário. Ganhei horas preciosas esperando por você a tarde. Até você aparecer eu ganhei 4 horas importantissimas na minha vida. Aproveitei-as. Pude, sinceramente, colocar a cabeça acima do pescoço e entender que por mais tranquilo que eu transpareça, sou como todo mundo, posso escolher errado.

Hoje, aprendi que independete da escolha feita, do caminho a ser seguido, sei que sou feliz. Feliz com você, por você e por mim mesmo.

Amanhã tudo volta ao normal, o máximo que ficaremos perto, será pelo telefone nosso de todos os dias, desde aquele primeiro.

Não sei porque, mas não consigo tudo que quero e seria ruim se fosse assim, que graça teria lutar, seria entrar numa briga já ganha. Então respeito tudo que tenho, mesmo que não entenda como tenho.

Peço perdão aos amigos de sempre: Os monges, o amigo das cartas, Franz... Mas eu precisava sumir, pra saber porque voltar. E agora eu sei. Ela gosta disso aqui tanto quanto eu.

Um senhor de Brasília me disse um dia que eu precisava parar de olhar e começar a perceber. Fiz com maestria. Parei de apenas olhar as pessoas, comecei a percebe-las, descobri o que cada gesto delas significava. E em um novo encontro, depois de me chamar de Anjo boboca, ele disse que antes de perceber os outros, eu deveria perceber a mim mesmo. Rio muito ao lembrar disso.

Mas agora entendo e repito: Hoje, a tarde, foi um dia bom!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O teu dom é falar de amor

Ter um dom. Exatamente isso, qual é o seu dom? Todos temos um. Pense um instante. Descubra qual é o seu. Penso que seriam necessárias várias horas, talvez vários dias pra descobrir, mas em alguns casos ele está aí. Evidenciado no jeito como fala e como ri. No jeito de como fica quando chora. Um dom.

Dom: do Latim donu é presente, dádiva; dotes naturais; mérito, merecimento; privilégio; poder; faculdade; condão, aptidão.


Ainda não encontrou, continue procurando... Temos tempo. Sempre temos. Talvez você tenha deixado o seu em algum canto, perdeu-se no passado, ou ele só aparecerá no futuro. Quem sabe? Ainda não encontrou. Não é isso que está aí não?

Não está vendo? Claro! Você mesmo não percebe. Precisam mostrar antes. É como um defeito, só que às avessas. Você não percebe o que tem de ruim. Assim como não percebe o que tem de bom. Se percebe, talvez não sirva pra muita coisa, pois presentes são dados a quem merece. Quando não se merece o presente não tem muito valor, se desvaloriza com o tempo ou não é bem o que tu queria.

Fui dado de presente a ela e ela a mim. Ela é o que tenho de melhor. Ela não sabe, mas me ensinou muito nos últimos dias. Vários dias...

Normalmente temos ciúme do nosso presente. É normal ter cuidado com o que é nosso. Mas não vamos nos contradizer... Isso não é um contrato... Isso é um dom. O amor é um dom. Por isso, só por isso, talvez tenhamos direito de dizer, você é minha eu sou seu. Não há ninguém pra tomar os nossos lugares.

Na noite de ontem falavamos mais uma vez de ciúme, contei a Doutora o que me incomodava e ela tinha mais uma vez o remédio. Hoje falei com o Anjo Rosa, ficamos conversando como fazem os amigos, não falamos nada com nada e mesmo assim tivemos horas maravilhosas.

Os monges não estão mais aqui. A Lolita voltou a dar o ar de sem graça e eu menti quando disse que não tinha dó de ninguém, nunca. Tenho dó do fruto daquele ventre, porque não pode se defender e não tem ninguém por ele, não digo que ela fará mal, só que se ele for um décimo do que ela é, isso sim me preocupa.

E pensando em fruto, de que sabor doce é o fruto do ventre da Doutora? Lembrei-me do dia em que conversei com ela, acho que era uma prosa de morango com leite. Que doce! Que complicada também! "Vamos manter o português por aqui?!"

Pronto! A essa altura você já encontrou o seu não é? Ainda não! Começo a me preocupar com você. Vamos, olha direitinho, tem que estar aí... E então? Já sei! Pode fazer um pequeno exercício: Quantas vezes sorriu hoje? Não sorriu. Ops! Sorri não é lá um de seus hábitos. Chorou? De alegria? Não! Que coisa einh! Não estamos indo bem.

Vamos tentar outra coisa. Lembrou-se de alguém com alegria, extrema alegria, alguém que você tenha feito algo por ele e que provavelmente você tenha sido a razão pra que ele tenha continuado no caminho certo. Isso! Isso mesmo! Encontrou. É o dom da vida, não se assuste, todos temos. É só cuidar direito. É assim que fazemos, a Fada e eu.

Ela mesmo o diz: "Quando a magia se perde ficamos nós também perdidos, porque nos sentimos abandonados pelo outro que parece seguir em paz como se nada houvesse ocorrido, pobre coração adulto que não vê que o outro ainda é criança, e que amor do outro ainda vive do pulsar de cada momento, nos irritamos e pouco a pouco fazemos também sofrer o outro, então é preciso renascer no amor, e nessas horas precisamos mesmo da força do outro mas nem sempre ele será assim tão forte, é preciso olhar pra trás e ver tudo como era tudo como sempre deve ser..."

Recebemos esse presente e somos os únicos responsáveis por ele. Mas existem pessoas irresponsáveis querendo estragar o presente dos outros. A elas diremos: é meu, cuide do seu. Seremos egoístas por proteção. Para que de modo algum, descuidemos de quem amamos. Vamos gritar, berrar, solte tudo que está dentro, se ainda assim não encontrar o teu dom, talvez ele esteja no teu silêncio.

E assim como dizia o Amarante "...ninguém dirá / Que é tarde demais / Que é tão diferente assim/ Do nosso amor / A gente é quem sabe, pequena".

E onde está o Franz nessas horas? Onde está todo mundo! Às vezes me esqueço como é que se faz pra chorar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Dolores, Lola, Lolita

"Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial. Num principado à beira-mar. Quando foi isso? Cerca de tantos anos antes de Lolita haver nascido quantos eu tinha naquele verão. Ninguém melhor do que um assassino para exibir um estilo floreado. Senhoras e senhores membros do júri, o item número um da acusação é aquilo que invejavam os serafins - os desinformados e simplórios serafins de nobres asas. Vejam este emaranhado de espinhos. "

Vladimir Nabokov

Não li o romance. Não sei se lamento ou não. Assisti ao filme. Talvez não tenha dado a devida atenção a ele. Sei que não lamento. Lolita é um nome que tem segredos, tem medos, tem angústias. Ao contrário do que pensava, não é forte, talvez a pessoa que carregue também não seja... é apenas um talvez.

Lolita: é diminutivo de Dolores que quer dizer dores, pesares.

Ela apareceu um dia de manhã quando eu e a Fada ainda éramos só amigos (hoje somos mais que amigos), ela me impressionou com a força das palavras e juro, achei que seria uma amiga nova. Mas ao contrário disso ela começou a me jogar contra a Fadinha, não sabia porque, não entendia, mas ela fazia e cada vez mais veemente... E encontrei apenas uma palavra pra isso. Mas lógico, ela não concorda com nada que digo. Nem com o que sou, ou faço.

Ela me confidencia algumas coisas esporadicamente... me faz perguntas, me persegue... e foge. Sente-se culpada, assume a culpa, pede perdão e foge. Mas ultimamente tem encontrado a paz (pelo menos espero). Acredito que ela, assim como a antiga amiga, viveram a história de Dolores. E lamento muito por isso, mesmo sem conhece-lo, lamento profundamente. Isso não se faz.

Ela tem uma maneira estranha de resolver as coisas, provoca, tenta fazer por bem, mas magoa e muito. Nunca a vi e nem quero fazer isso, prefiro assim. Ela já foi amiga da Fada, mas não soube preservar isso. Gosta da Fada, eu sei, mas é meio estabanada com essas coisas. Ela se preocupou com o sofrimento alheio, tinha razão, lia isso nas entrelinhas, eu não sabia, mas faço o melhor que posso e acredite, se não for eu, quem será? Conversamos e ela tinha medo, preocupada, procurava uma solução... encontrou... Decidiu pela vida. Parabéns, sinceramente. Sabe que temi por essa vida, assim como temo pela verdade desse relacionamento que me descreve. Espero hoje, que assim como errei no primeiro, esteja errado no segundo também.

LøLµT@ é vaidosa, fala isso aos quatro cantos, sem pestanejar, a Fada confirma essa beleza, já me disse isso e creio que a Doutora também, mas a isso o amigo das cartas diria: "Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos."

Uma vaidade que me assustou, não entendia a razão para aquela maneira de se tratar, realmente não precisava disso... me enganou algumas vezes, algumas não, várias, confesso que é esperta... mas ainda acredito que ela tem jeito. Não acredito que ela possa ser tão má quanto aparenta, afinal de contas LøLµT@é seu nome, e ela carrega a inocência consigo.

Se perdeu a inocência, não há como encontrar, inocência é coisa que quebra e não há como juntar os pedaços, espero apenas que ela recupere o juízo, e que tenha responsabilidade, considerando que terá uma logo em breve que merece cuidado.

Me recordo do dia em que conversamos, você, a Fada, o teu Professor e eu. O que foi aquilo? Troca de ofensas, vi vocês brigarem por nada, vi a Fadinha rindo pelas respostas que eu te dava. O susto ao descobrir que realmente estávamos juntos... Por que as coisas são assim? Por que nos tratamos assim? Talvez tudo isso nem interesse mais, mas aprenda uma coisa, não me esqueço de nada que tenha dito por isso diga coisas boas e será recompensada, não por mim, mas por alguém que é maior que nós todos. Dias atrás quando voltamos a nos falar, fiz isso pensando em tentar entender por que você fazia o que eu chamava de "maldades", não entendo ainda, mas já sei que sabia mais que eu. Quando conversamos naquele dia me senti mal por ter voltado a falar contigo e tu não tinha mudado nem um pouco, não aprendeu nada e não existe diferença no que digo, nunca.

15/8/2007 01:37:32 LøLµT@ diz: e não consegue, mude uma opinião e mudará a minha...
15/8/2007 01:38:38 Åŋﮊo diz: não vou fazer nada... vou ver todo mundo quebrar a cara, como estão fazendo aos pouquinhos...

Lutei e venci, luto e procuro a vitória sempre, tu foi minha adversária várias vezes... Contra ti não venci, tivemos tréguas... Sem fazer nada consegui e agora? Eu mesmo respondo, tu volta e faz as mesmas perguntas de sempre, porque nunca vou te convencer e criamos esse hábito terrível de não acreditar em nada do que dissemos, espero mesmo poder ter outra conversa sem tocar nesses assuntos que nos tornam o que nos tornamos.

O Åŋﮊo rezou pelo fruto do teu ventre, porque temia o pior, considerando a maneira que tu me contou, mas agora rezo pra que esse fruto seja amado e que receba uma educação que o torne humilde... A arrogância tu anda não perdeu. Não sei o que sinto por ti. Mas acredite, não quero o mal, quero o bem.

E eu realmente não sei de onde vem a bondade da Fada, mas não creio que seja humilhação, creio mais na lembrança do relacionamento que já foi amistoso um dia.

E vou guardar o dia em que tu cantou o Telegrama do Zeca... Vi uma pessoa boa naquele dia. Prefiro acreditar nessa LøLµT@ pra cuidar da Clara ou de quem quer que venha por aí.

Emular

"Depois de algum tempo você aprende a diferença... a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. (...)
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... "

William Shakespeare

Muitas vezes você tenta entender o que acontece com a confiança das pessoas em você. Hora você é a pessoa mais importante do mundo, hora você não serve para olhar a fervura do leite. O que te faz descer do pedestal?
Tudo sempre volta ao normal, mas enquanto não acontece, começo a perceber que as verdades doem quando não sabemos que elas são mesmo verdades. E são piores quando são ditas em momentos de indelicadeza plena.

Emular: do Latim aemulari é imitar por emulação; ter emulação de alguém; rivalizar, competir com alguém, invejar, ciumar.

Esse zelo que transborda, que exagera e nos transforma em angustiados por não saber o que fazer, o que está acontecendo, quem nos vigiará? Quem queremos suplantar? Há algumas semanas perdi o foco, não sabia o que fazer por ter coisas de mais a fazer, não me organizava e isso te fazia sofrer... Ao invés de carinho, te dei dúvidas, muitas... e mais uma vez sinto, entretanto tu percebeu que eu falava a verdade (mesmo que eu não seja muito adepto do metodo que tu usou pra isso), mas certamente os poderes da fada e o aval do Doutora me fazem crer que estive mesmo disperço.

Gostaria de saber a opinião do Anjo Rosa nesse momento, ela que é tão ciumenta quanto a Fadinha... Seria divertido ter mais alguém contra mim... Assim seriam 4x1... E eu o único com a razão... Já que mais uma vez estou perdoado por não ter feito nada.

Pra me darem razão basta vir aqui... Nas minhas coisas e ver o quanto eu tenho estado aqui... Vejam como já não mexo aqui como antes... as obrigações são maiores a cada dia... Confesso que gosto muito daqui!

Não falo com meu amigo que escreve cartas há muito tempo, não falo com Franz e nem com o principezinho, com Samsa, Raskolnikov e nem Alexi o fervoroso cristão... Mas conheci um monge que já foi executivo... ando aprendendo muito com ele. E por falar em monge, no domingo enquanto eu e a Fada caminhavamos na feira encontramos quatro deles jogando poker. Eu os trouxe para jogar aqui em casa, rio sempre quando olho para eles. Como são gordos!?!?!!?!?

E falando do meu amigo das cartas: " Com efeito, enquanto houver entre vós ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um modo totalmente humano? Quando, entre vós, um diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é isto modo de pensar totalmente humano? Pois que é Apolo? E que é Paulo? Simples servos, por cujo intermédio abraçastes a fé, e isto conforme a medida que o Senhor repartiu a cada um deles: eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer.
(...) Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente e o futuro. Tudo é vosso! Mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus. "

Ele realmente sabe das coisas. Somos humanos de mais às vezes. O Åŋﮊo e a Fada com a ajuda da Doutora se lembraram disso. E é por inveja que não entendemos a bondade dos outros não é?

Nossas almas se deram as mãos há muito tempo. Muito antes de nós naquele estalar de dedos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Total...

"- Vem brincar comigo - propôs ele. - Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa - disse o principezinho
Mas, após refletir, acrescentou:
- Que quer dizer 'cativar'?
(...)
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. - Significa 'criar laços'..."
Antoine de Saint-Exupéry

Ouço Sunshine do Keane

Algumas pessoas simplesmente aparecem de uma hora pra outra correndo de manhã tentando chegar em algum lugar e nós nunca imaginamos que um dia seremos como somos hoje, teremos laços tão firmes, fico feliz de me lembrar que fui cativado por um Anjo...

Anjo do Latim angelu e do Grego ággelos é: mensageiro, ente puramente espiritual; criança que nas procissões vai vestida de anjo; pessoa de muita bondade e virtude ou inocente; pessoa de grande formosura; criança sossegada.

E ela nem sabe como me ajudou nos últimos dias...

Anjo Rosa diz (17:19):
Você me lembra “keane”
Já te falei

Å ŋ ﮊ o diz (17:20):
Qual do Keane?

Anjo Rosa diz (17:22):
Sunshine
Mas nem sei porquê.
E sabe o que eu estava pensando? rs

Å ŋ ﮊ o diz (17:35):
O que?

Anjo Rosa diz (17:35):
A música do keane - sunshine - me lembra outra música que também me lembra você
rsrsrs

Å ŋ ﮊ o diz (17:35):
Qual?

Anjo Rosa diz (17:35):
You are my sunshiiiiiiiiinnnnnnnnnne

Å ŋ ﮊ o diz (17:35):
kkkkkkkkkkkkk

Anjo Rosa diz (17:35):
My only sunshinneeeeeeeeee
You make me happy
When skies are greyyyyyyyyyyyyyyy]
hehehe e eu nem tinha pensado nisso

Todas as manhãs eu tinha um encontro marcado com um anjo. O anjo ficava parado no canto, não olhava para os lados, parecia concentrada no som de uma bela sinfonia (talvez Swett Sinphony), eu via o anjo, mas o anjo não me via, o anjo sorria.

E era divertido perceber a "inocência" de criança nela que muitas vezes corria atrás do ônibus para não se atrasar mais uma vez e chegar a tempo no trabalho. Estava lá aquele Anjo Rosa, Loira, Linda com uma mochila e um fichário enorme tentando entrar em um ônibus lotado. Pronto, quando conseguia, se ajeitava no meio da multidão e eu estava lá assistindo aquelas cenas que me chamavam atenção pelo contraste, um ponto rosa (todo rosa dos pés a cabeça) no ônibus lotado.

Ouço agora o Vento Ventania-Sunshyne com Bikini e Papa Winnie

Era um anjo lindo, não tinha asas, o anjo tinha sorrisos, muitos sorrisos, o anjo não tinha túnica, não usava túnica, não importa muito o que o Anjo usava, desde que fosse rosa, passei a lembrar do anjo como o Anjo Rosa.
Normalmente via o Anjo Rosa pela manhã, ate que um dia,eu a vi sentada no último banco, olhando pra fora... Olhos vermelhos havia no lugar dos olhos sorridentes de sempre, olhos vermelhos que não combinavam com Anjo Rosa. Olhos rosas tudo bem, mas vermelhos.

Eu que nunca tinha tido um motivo para falar com o Anjo Rosa, tentei me aproximar, pra entender o que a deixava tão triste, era um sofrimento impar... O que fazia mal ao Anjo. Então eu fui em busca daquilo pra tentar solucionar... até parece que ia resolver... Mas quis tentar ajudar...
Procurei o Anjo Rosa entre amigos e encontrei, deixei um recado a ela dizendo que conhecia ela, descobri que o Anjo era bem curiosa, quis saber quem eu era. Esse foi o primeiro passo pra tentar solucionar o mistério dos olhos vermelhos de outrora.

Na manhã seguinte milagrosamente ele fica em pé ao meu lado, pedi pra segurar as "tralhas" dela (não era pouca coisa não), quando fui descer olhei nos olhos dela, ela agradeceu e assim que pude deixei um outro recado, nesse eu dizia que eu era o "tal" que levara a mochila dela. Ela ficou surpresa, dizia não acreditar, ria muito... e assim começamos.

O anjo passou a compartilhar segredos, contou-me da perfeição dos momentos que ele viveu. Eu vi o anjo se zangar por não saber dominar os sentimentos e se alegrar com uma descoberta. Eu vi por quem o Anjo chorava naquele dia, é a mesma pessoa que ontem eu vi correndo pra não chegar atrasado na casa do Anjo Rosa, morro de rir quando lembro da cena daquele que é o responsável pela felicidade do Anjo atravessando a praça correndo e olhando pra mim enquanto apontava e batia no relógio como quem diz: "se me atrasar ele me mata!".

O Anjo fez coisas por mim que nem imagina, o Anjo foi verdadeiro, confiou em mim e ganhou também a minha confiança, partilhou nos últimos meses momentos de intensa felicidade, me viu com a Fada e me disse há pouco tempo que sabia que eu estava com ela por amor, porque sou dela e pra ela e que eu sei disso, a fada sabe disso o Anjo Rosa sabe disso e #$%&%! pro resto - é, as vezes o Anjo Rosa fala palavrão, e quem não fala?

Ouço agora Yellow do Coldplay

Venero o Anjo e o tenho pra sempre comigo, quero vê-la feliz pra sempre. O Anjo sabe todas essas coisas e não é diferente de nenhum ser humano, é especial. E o Anjo carrega um nome. É um Anjo Bom, Anjo Rosa, Anjo.
Te venero, te adoro total, tu sabe disso.

Para: O Anjo Rosa

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Todos por um! Ou contra um?

"Leia-os", disse o Rei. O Coelho Branco pôs os óculos. "Onde devo começar, Vossa Majestade?", perguntou. "Comece pelo começo", disse o Rei muito sério, "e continue até chegar ao fim, então pare".

Lewis Carroll

Óbvio: do Latim obviu é que ocorre; que está diante; patente; evidente; intuitivo; fácil de compreender.

E quando as pessoas não enxergam aquilo que está diante delas? Faço o que? Sei que algumas coisas que são evidentes pra uns, nem sempre são pra outros, que o diga o Coelho Branco.

Ando desconcertado, não sei o que fazer, o que era pra mim tão compreensível, tornou-se um novo desafio...

Agora o todo briga dizendo que não é, me tomaram algo muito importante, assim, pela primeira vez não sabia por onde caminhar. Entretanto um velho sábio, que se manteve neutro, pode me devolver àquilo que me tomaram... Devolveram-me o óbvio. E não importa quantas vezes vão me tomar, de novo, vou lutar e o melhor de tudo, vou vencer.

Hoje conversei com a Médica, esqueci de dizer a ela que NUNCA duvidei do amor que ela sente, e nem precisei ver os olhos dela pra isso, esqueci de dizer que a recíproca também é verdadeira.

Eu dizia a ela que não sei a razão por ter tudo que tenho, nunca fiz nada pra merecer tanta bondade de Deus. Cada pequeno dom, cada pequeno sinal, cada presente, tão importante, que se reunidos, passaríamos toda a eternidade agradecendo. Foi engraçado, porque com toda a sinceridade, sinto vergonha de pedir a Deus, porque sei que não sou merecedor e também porque já recebo de mais. Nunca peço pra mim, peço para os outros.

Contei a ela da segunda maior graça alcançada, do sonho. De como tudo aconteceu, de como foi rápido, de como eu, sem entender, como faria para agradecer, ia recebendo, vendo, o que Ele havia preparado pra mim.

Mais uma vez a Médica tinha a dose certa.

Eu não disse a ela, mas os olhos se enchiam de lágrima apenas por lembrar, e sem querer copiar Franz, ainda fazem isso agora, entretanto, sem a “presença” da minha Fada e da doutora, a solidão aqui torna tudo mais intenso...

Hoje, enquanto a Fada segurava as contas do terço, o Åŋﮊo rezava pela médica. Depois de tudo o que ouvi, me senti mais forte. Nós pedíamos pra que Deus, em sua imensa bondade, olhasse por ela, não nos importaríamos de fazer isso, mas como sabemos a Médica não é daqui, ela vem de longe, ela está longe.

Não tenho como provar o que querem, já que não tenho como tirar o que sinto e mostrar, mas se o que vêem não anda agradando, virem-se para o outro lado.

Assim como, tenho certeza de que amo e sou amado, e se essa certeza existe, o todo tem direito de pensar o que quiser, dizer o que quiser... Só peço que não tenham pena de mim, porque eu nunca tive pena de ninguém, sofremos para pagar o que devemos e se não devemos, sofremos para nos purificar, não temos como impedir a Cruz, mas podemos aliviar e ajudar a carregar. Eu carreguei uma durante algum tempo e eu fiz não por pena, fiz por amor.

Ter pena é ridículo. Imagine uma grande causa pela qual você daria a vida. Faria isso por pena? Eu também não, faríamos por amor.

Ela é a minha causa, o meu amor. Sou dela e por ela. Agora o que resta é agradecer, dar graças, dar glórias...

“Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, Rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso:
nós Vos louvamos,
nós Vos bendizemos,
nós Vos adoramos,
nós Vos glorificamos,
nós Vos damos graças,
por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai:
Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós;
Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica;
Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós.
Só Vós sois o Santo;
só Vós, o Senhor;
só Vós, o Altíssimo, Jesus Cristo;
com o Espírito Santo na glória de Deus Pai.
Amem.”

E ainda assim não verão o óbvio.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

- E essa é uma história de amor

“Poderíamos trocar beijos que seriam cheios de carinho e sedução e sem enganação porque ambos conhecem a verdade. Não sei mais por onde caminhar...”.

Recebi essa mensagem às duas horas e treze minutos da madrugada do dia três de dezembro de dois mil e seis.

Amor: do Latim amore é a viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objeto da nossa afeição; paixão; afeto; inclinação exclusiva.

Essa era a confirmação do desejo dela. Eu era o objeto dela. Nesse dia ficamos. Ficamos de tarde até a noite. Ela de bota, short preto, um cinto que ela havia acabado de ganhar (que por sinal não se parecia nada com ela), camiseta - da segunda cor que ela mais gosta - brincos, anéis, batom, maquiagem e um beijo. Isso, eu a vi de longe, caminhei na direção dela, disse oi e dei um beijo. Eram cinco e trina e sete da tarde.

De lá pra cá ela mudou, eu mudei, o mundo mudou e a tal falta de enganação virou amor. Mesmo dizendo que não íamos nos apaixonar. É chegamos a esse absurdo, não nos apaixonaríamos, algo me dizia que ela já estava apaixonada e talvez sem que eu soubesse, eu também.

Nossos encontros eram em lugares diversos, passeios no Parque, na Praça, na Estação, algumas longas caminhadas na Floresta. Vimos o tempo passar várias vezes, olhando um pro outro em pontos de ônibus da cidade. Percebia a cada dia quanto eu gostava de vê-la e tê-la perto de mim. Segundo muitos, fui o seu anjo.

Segundo ela devolvi a vontade de viver.

Não passamos o Natal desse ano juntos, passamos juntos o dia 23 com alguns de meus velhos amigos. Não nos vimos no Natal, mas marcamos bem a véspera.

Repetimos a dose no Ano Novo, só nos vimos na véspera. Passada as festas de fim de ano, corríamos para os momentos que marcariam e fortaleceriam pra sempre nossa relação. No dia dois de janeiro ela me mandou uma mensagem que dizia: "Oi meu bem Deus olha por mim! (...) Estou muito muito muito feliz! Quando me ligar te explico melhor! Te adoro! Beijo na boca!", lendo isso agora percebo como era ainda tão amistoso nosso relacionamento - MEU BEM, TE ADORO - divertido isso.

Três dias depois ela estava indo para aquilo que tinha esperado a vida toda. Tinha chegado o momento mais importante da vida dela. Ela não sabia se voltaria, mas uma coisa era importante, ela queria muito voltar e eu fui a razão pra isso. Horas de desespero, sem ninguém pra me consolar, fui conversar com Deus e em prantos pedi a ele que me trouxesse de volta aquela a quem agora eu sabia que amava - difícil seria fazê-la acreditar nisso.

No dia 6 tive o meu pedido atendido, Deus apontava pra ela mais uma vez e dizia: "Agora não", recebi a notícia de que ela tinha voltado bem tarde, quando eu fui falar com ela era quase meia-noite, ela chorava e percebia ali quanto eu precisava dela. Cheguei a dizer naquele momento que a amava, mas ela não aceitava ainda.

Nesse dia ela confessava que estava APAIXONADA POR MIM... Foi difícil pra ela confessar o óbvio, é orgulhosa quanto a isso. Mas àquela altura, já era tarde de mais.

Uma semana se passou e sabe-se se lá porque ela não me deixou visita-la, passou os dias com "você", que cuidou maravilhosamente bem dela... Mas depois voltamos a nos encontrar com freqüência.

Segredos, estranhos segredos, nossos segredos...

Algumas novas mudanças em fevereiro e ela já confessava que me amava, eu fazia o mesmo, mas não tinha a mesma validade que ela, ela ainda iria se acostumar com isso.

Nesses meses em que velhos fantasmas apareciam tanto lá quanto cá, nos fortalecíamos com a força do nosso crescente amor. A vontade de estar sempre perto aumentava... Sempre havia um jeitinho pra que ficássemos juntos.

O nosso amor cresceu, ficou adulto e acreditamos nele. Somos ciumentos, muito ciumentos, aliás.

Ela ainda hoje gosta de como cuido dela - só não sei dizer se ainda é assim depois da bobagem que eu ia cometer - mas isso vai passar, sempre passa.

Cometemos erros, mas suplicamos o perdão e esperamos ser atendidos, já que na nossa ignorância o amor que sentíamos tinha alguma razão, mas não se deve falar de razão quando se trata do amor, quando é amor, o que fala é o coração. E hoje estamos ouvindo melhor, aquilo que outrora foi ignorado. No começo disso tudo fingimos que não íamos nos apaixonar, hoje sou por ela, sou dela.

E ainda hoje se alguém for ver o encontro de nós dois poderá presenciar os olhares a distância antes do encontro, o sorriso dela e a língua dele pra ela, o sorriso dele, a corrida dela para os braços dele, o pulo, o beijo - sim o beijo. Eles sempre se beijaram como se fosse a primeira vez naquele três de dezembro de dois mil e seis as cinco e trinta e sete da tarde.

E quem não puder ver, procure em algum lugar um ETA SFD...

Para: a médica e a fada

terça-feira, 17 de julho de 2007

- De encontros

Durante os nossos dias encontramos muitas pessoas, tantas que a imensa maioria delas nunca ouviu ou ouvirá falar de nós, mesmo que ela esteja ao seu lado agora. O Åŋﮊo estava em um cruzamento da cidade - no horário de pico - e teve um tempo enorme para pensar sobre isso.

Encontrar: do Latim incontrare é esbarrar com; achar; chocar-se; dar de cara com; embater-se.

É estranho como nós passamos, esbarramos, chocamos com pessoas que nunca farão a menos idéia de quem nós somos. O que é necessário para marcar um encontro? Como fazer dele o mais importante?

Olhando para fora, da janela, via passar na rua um número tão grande de pessoas que não consigo dizer nem em aproximação quantas eram, sei que eram muitas, mas gravemente não me lembro de nenhuma. A única pessoa de que me lembro era aquela que estava ao meu lado. Talvez isso aconteça porque hoje ela já não é mais uma daquelas, hoje ela já está em mim, faz parte de mim, está aqui dentro. Posso sentir.

Lembro-me perfeitamente do meu primeiro encontro com ela. Marcado por impressões que hoje não diriam metade do que somos agora. Primeiras impressões são importantíssimas, porque ela faz com que você se lembre que é impossível conhecer o caráter de alguém em um primeiro e rapidíssimo encontro, a primeira impressão nada mais é do que preconceito. Você diz o que acha sobre algo que não conhece de fato e pronto. Está tida a primeira impressão. Ela é um “chute”. Você “chuta” o que a outra pessoa é e quase nunca acerta. É lógico que existem os casos de acertos, senão seria maldade com o “alguém” que disse que a primeira impressão é a que fica. Ele não estava de todo errado, porque é apenas isso o que muitas pessoas terão; uma primeira e única impressão.

Por isso o que os outros acham de você só é importante quando a pessoa te re-conhece de verdade, caso contrário é só intriga da oposição. Andam dizendo por aí que criticas são importantes. Concordo! Mas a critica vem de quem, a pessoa conhece o assunto? Tudo bem! Mas me conhece de onde? Sabe o que passei ou fiz para chegar até ali? Não! Então, isso também é preconceito, é algo como comparar a educação pública com a educação privada no nosso país. É injusto. E o esforço, não é mais reconhecido? Cadê o respeito pelo trabalho realizado?

Dizem também que “Os fins justificam os meios”. Uma frase célebre, daquelas que as pessoas gostam de usar para justificar as suas tramelas, mas que normalmente não sabem e provavelmente nunca saberão quem foi que disse, porque disse e em que contexto.

É absurdo pensar que alguém vai passar por cima de qualquer um, para conseguir o que se deseja. Mas isso acontece e nós podemos perceber. Não há mérito na derrota, é isso que se ensina, não aprendemos a perder, já nascemos derrotados, andamos de cabeça baixa e isso faz com que nos embatamos com as pessoas que estão ao nosso redor, pelo menos é o que parece. Mas por favor, acorde para vida, a sociedade é importante, o todo é importante e não é preciso lembrar que as coisas só vão bem quando todos pensam em si e no outro ao mesmo tempo, pensar em si apenas, não faz uma boa Economia.

Cada pessoa lá fora tem um objetivo, um caminho. Os caminhos não são iguais para ninguém, mesmo aqueles que estão sentados lado a lado ou indo na mesma direção, o caminho a ser seguido vem de dentro, é escolha pessoal, não se pode deixar que outra pessoa escolha por você. Não se pode abdicar de querer, desejar. Esses caminhos não são iguais, mas às vezes, são parecidos e é nessa hora que os encontros acontecem, mas a imensa maioria vai passar, vai esbarrar e nunca fará parte do nosso cotidiano. Porém as que entrarem no seu caminho, vão fazer uma diferença enorme, serão capazes de te salvar da morte, serão capazes de tornar-se a sua razão, serão capazes de se dar completamente.

O Åŋﮊo não tem poderes, não pode mudar o mundo, porque o mundo é um bando de gente se cruzando o tempo todo sem fazer questão de quem está ao lado, entretanto o Åŋﮊo já ajudou uma vida e sabe que será ouvido sempre, porque a primeira impressão já passou e que é re-conhecido como alguém importante para essa pessoa. Todos querem reconhecimento, poucos conseguem e menos da metade sabe o que fazer com ele. Paulo de Tarso escreveu: “E agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos”. O Åŋﮊo espera saber escolher o certo.

Nessas horas descubramos o que é realmente o amor.

domingo, 15 de julho de 2007

- Åŋﮊo que chora...


“Felizmente também havia exceções a isso, na maior parte das vezes quando tu sofrias em silêncio e o amor e a bondade superavam com sua força qualquer oposição e comoviam de maneira imediata. (...) Nesses momentos a gente ia se deitar e chorava de felicidade, e chora ainda agora enquanto escreve.”

Franz Kafka

Lendo uma carta de Franz ao seu pai essa semana em que ele contava várias coisas, dentre elas como ele - Kafka - se emocionava, como chorava de alegria com alguns raros acontecimentos relacionados ao pai e como chorava ainda no momento em que escrevia a carta, apenas pela lembrança do momento. O Åŋﮊo quis saber o que é isso que às vezes deixa um nó na garganta, embaça a visão e faz com que um arrepio tome conta de todo o corpo com se não fosse cessar mais.

Hoje à tarde o Åŋﮊo ouviu Elza Soares, esposa do Anjo das pernas tortas - aquele a quem acusavam ter um pacto com o Diabo, mas que concluíram que ele tinha mesmo era um acordo com Deus – cantando o Hino Nacional Brasileiro, nesse momento eu pensava como é possível a emoção, perturbar-se, abalar-se, comover-se, intensificar um sentimento...

O Åŋﮊo há muito tempo não chorava, disse pra si mesmo na tua infância que chorar não era coisa de homem, chorar pra quê? Não tinha motivo nenhum, associara o choro diretamente à dor, vergonha, tristeza... Por isso não tinha nem um motivo pra isso, sempre foi feliz, confesso, sempre. Já fui acusado por isso também, acusado por não ter nenhum problema, por ter uma família perfeita. De onde eu tiraria dor para chorar, até já quis, mas não havia lágrima e segundo minha velha concepção, não tinha nem motivo.

Quando criança chorava, chorava muito e tinha vergonha. Lembro-me de ter chorado dentro de sala de aula, por não ter conseguido acompanhar o ritmo da professora. Ela apagando e eu entrando em desespero. Antes disso lembro-me de ter chorado porque uma “tia” do jardim de infância, brincando com todas as crianças, abaixava a cabeça e fingia um choro cantado, eu chorava pedindo para que as outras crianças saíssem de perto dela.
Mas nunca um choro de felicidade, uma razão para chorar.

Entretanto isso passou, o Åŋﮊo já chora por qualquer sinal de felicidade. Algo que comova e tome conta da alma. A alma sente um ato de bondade, os olhos choram. A alma sente orgulho, os olhos choram. A alma sente dor, os olhos choram. Os olhos choram com facilidade agora, mesmo quando os olhos não choram, mas ficam no quase... o Åŋﮊo sabe que algo bom está acontecendo. O Åŋﮊo sente que aquela velha história de sentir que está vivo, contado os momentos em que se perde o fôlego, Ah! Acreditem, é a mais pura verdade.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

- Exame de Rotina

O Åŋﮊo hoje conversou com uma médica (uma hora ou outra teria que fazer isso, mas assim?) e agora está se sentindo bem ignorante. Penso que havia algo de errado, eu não entendia nada do que se passava, fui abordado, parecia uma daquelas consultas rápidas, ela faz meia dúzia de perguntas, te deixa nu e depois diz:
- Adeus!

Foi exatamente isso a ultima palavra da Doutora pro Åŋﮊo. Será que estou me preocupando à-toa?

Preocupação: do Latim praeoccupare é prender a atenção de; impressionar; dar cuidado a; tornar apreensivo; inquietar; desassossegar.

Como podemos nos ocupar com algo que não aconteceu ainda e nem sabemos se vai acontecer, mas que deixamos tomar conta? Por que perder o sossego? Por que não se relaxa ao invés de ficar procurando problema em tudo o que acontece?

A conversa parecia mesmo um consulta e como sempre só ela sabia do que se tratava, talvez eu fosse um paciente em estado terminal, já que não sabia do que se tratava, fui convidado a entrar, me fizeram perguntas, diagnosticaram e pronto, quando descobriram o que eu tinha, me mandaram de volta pra casa. A doutora disse que não me veria de novo, fiquei sem saber se por que eu estava curado ou se por que eu já não tinha mais jeito.

A doutora vinha da Holanda, era de nossa Terra, mas vinha de lá, falava coisas sobre saudade, amizade...

Lembro-me de ter perguntado sobre a razão dela ter ido pra lá, já que não havia ninguém querido lá e que os bons amigos estão aqui. Será que havia uma razão mais bela que a amizade? A doutora foi embora e me deixou pensando sobre a preocupação que ela demonstrava nas poucas palavras que ficaram.

Será que esse Åŋﮊo está doente, logo agora que desfez todo o mal entendido com a FADA, mesmo que se talvez ele nunca voltem a se falar, é como se tivessem resolvido tudo?

Falta dos amigos não é, já que falava com eles, amigos novos ela não queria, já que recusou ao convite do Åŋﮊo.

Espero que ela esteja bem e que tenha tempo pra dormir, já que passava das quatro da manhã e ela ainda estava lá acordada.

Então deixo aqui toda a minha inútil preocupação e espero que eu possa falar com ela de novo - ela me deixou confuso - e que o Adeus que ela deixou signifique um até breve e não o contrário.

Preoucupar-se é sofrer por antecipação, não existe nenhum resultado positivo quanto a estar preocupado, por isso não devemos fazer algo assim, se não podemos resolver o problema, tenhamos responsabilidade para assumir as conseqüências e entender que é importante esperar, é importante acreditar, mas como dizia o meu amigo que escreve cartas "Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade", se não tem amor, não adianta ter nada, mas se ama, tudo se resolve, o amor é o que há de mais forte em nós. Se amamos algo, lutamos por ele; creio agora, que a Doutora não me olhava como paciente e sim como culpado, ainda não sei do que. Ela é a médica que cuida da FADA. Acredito que ela ama cada paciente dela e que eu não era um deles, nunca fui, mesmo porque me sinto muito bem, então não tenho por que procurar um médico.

O problema todo é a cura: ela veio até a mim, então serei eu a doença? Não creio nisso agora, não mais, fiz algumas travessuras nos últimos dias, mas já fui perdoado de todas elas. Ter a vida por um fio, cuidar de quem não se conhece, isso é a caridade.

Médicos são como anjos da vida, preservam-na até o último fôlego. Mas o que será que andam fazendo com as próprias vidas?

- Confiança

Quando o Åŋﮊo encontrou a FADA para conversar, conversaram sobre amor, confiança, curiosidade...

Vou sentir saudades dela...

Confiança: do Latim confidentia é segurança e bom conceito que se faz de alguém.

Penso que algo não saiu certo, não atendi pedidos e não fui fiel ao pouco que me confiaram, o Åŋﮊo não atendeu pedidos e sente nesse momento culpado por algo, o que fazer da minha culpa, admito que errei, mas que não me arrependo, porque foi uma das conversas mais rápidas e gostosas que tive, essa fadinha me reanimou.

E sempre guardo minhas conversas, sempre, e releio depois, ao reler percebi, como falamos bobagens, acho que é o calor do momento, não há outra explicação...

Apreciem.

As 22:15:21 o Åŋﮊo diz:
- Oi!

Fada:
- Desculpe foi um erro.

Åŋﮊo:
- Me chama pra conversar e agora não pode falar comigo? É isso?

Fada diz:
- É. Quem é você?

Åŋﮊo:
- É um contra-senso perguntar a um fake perfil quem ele é, não?

Fada:
- Não, já que sou uma off.

Åŋﮊo:
Mas onde me encontrou?

Fada:
Encontrei você em uma off, pois acho que meu MSN está com problemas...

Åŋﮊo diz:
- Não entendi...

Fada:
- Quer dizer que add você no meu MSN off, porque ele está com problemas e capturam e-mails como contatos automaticamente...

Åŋﮊo diz:
- Hum! Ok, se for me bloquear me avise mas gostaria de ficar aqui...

Fada diz:
Só me dizendo quem é... Rsrsrs acho justo não?

Åŋﮊo:
- Não sei. Acho que não, prefiro me manter assim até que você descubra ou desista de falar comigo ou ainda me cative com o seu fake.

Fada:
- Posso contar meu fake se me falar sobre seu off, já nos conhecemos. Me diga quantos anos tem?

Åŋﮊo diz:
- Não, não tenho interesse em desvendar o teu mistério. De acordo com o orkut 87, rsrsrsrsrsrs

Fada:
- Neste caso também não vou me expor, desculpe?

Åŋﮊo:
- Pelo que? Não tem o que pedir desculpas Não por isso. Mas por favor continue a falar comigo...

Fada diz:
- ... Fica fácil pra você se manter incógnito não é?...Rsrsrs nem sua idade pode me falar?

Åŋﮊo diz:
- auarauarararueraehr Não. Eu posso ter quantos anos quiser... Quem sabe com um tempo eu te diga.

Fada:
- Não, quero agora, sou curiosa e apressada...

Åŋﮊo:
- Pressa não é a melhor coisa do mundo, para apreciar é preciso ir devagar.

Fada:
- Não quero apreciar sua idade, quero descobri-la...

Åŋﮊo:
Se eu te contar não será uma descoberta. Quantos anos acha que tenho?

Fada:
- Não pra você... Pra mim uma conquista...
Åŋﮊo:
- Poderia me responder?

Fada:
- O que?

Åŋﮊo:
- Quantos anos acha que tenho?

Fada:
- 87.

Åŋﮊo:
- Pronto, ficamos assim então, eu com 87 e você com?

Fada:
Quantos anos acha que tenho?

Åŋﮊo:
- Vou olhar se te acho primeiro, depois tento adivinhar.

Fada diz:
- Me acha onde?

Åŋﮊo:
- FADA no orkut, se tem um fake tem também um off lá, ou não?

Fada:
- Sim, mas não me encontre ok?

Åŋﮊo diz:
- Ora como assim?

Fada:
- Ora você está com toda a vantagem...

Åŋﮊo:
- Que vantagem?

Fada:
- Tem meu off, eu só tenho seu fake... Não confia em mim como uma off... Não confio em você como um fake.

Åŋﮊo:
- Ok, quando confiar no meu fake me procure, pois espero estar aqui...

Åŋﮊo:
- Beijo!

Fada:
- Quando confiar no meu off fale comigo...rsrsrsr.
Åŋﮊo diz:
- Quem é o da foto?

Fada:
- Alguém que amo, por te me ensinado a viver...rsrsrsr Meu namorado.

Åŋﮊo diz:
- Como assim ensinado a viver?

Fada:
- É uma longa estória... Já lemos seu blog ele disse que você escreve bem... Tem mais de 40 anos?

Åŋﮊo:
- O que tem o blog? O que tem se eu tiver mais de 40 anos? Não fala com idosos?

Fada:
- rsrsrsrsr... Não, é porque escreve como quem já viveu mais que eu... Então acho que tem 40 anos, estou certa?!!! Se não falasse com idosos não falaria com você, afinal tem 87, não?!!!! Rsrs

Åŋﮊo:
- Certo... Quem já viveu? De onde tirou isso?

Fada:
- De lugar nenhum... Besteira!!! Quero saber quantos anos tem, vai me falar?

Åŋﮊo:
- Não vou falar. Você escreve?

Fada diz:
- Sim.

Åŋﮊo:
- Onde?

Fada:
- Em um blog da off.

Åŋﮊo diz:
- Posso ver?

Fada:
- Não.

Åŋﮊo:
- E por que não?

Fada:
- Já disse, tem que confiar em mim pra que eu confie em você...

Åŋﮊo diz:
- Não me deixa ver por quê?

Fada diz:
- porque é meu... Sou uma off, mas você não confia em mim... Então não tenho porque confiar em você...

Fada diz:
- Quantos anos tenho? Não me respondeu.

Åŋﮊo:
- Não sei, mas saberia se pudesse te procurar.

Fada:
- Oras, não pode chutar?
Åŋﮊo diz
- Está triste?
Fada:
- às vezes, hoje não...

Åŋﮊo diz:
- Por que troca tanto as imagens do avatar?

Fada:
- Oras fiz isso uma vez.

Åŋﮊo:
- Teu namorado onde está?

Fada:
- Na casa dele, por quê?
Åŋﮊo diz:
- Ele é pequeno ou você é que é grande? Na foto têm quase a mesma altura. Belo casal!

Fada diz:
- Ele se abaixou para tirar a foto, está côncavo... Obrigada... Namora?

Åŋﮊo diz:
- Sim.
Fada:
- Há quanto tempo?

Åŋﮊo diz:
- Tempo é importante nesses casos?

Fada:
- Nunca... Apenas curiosidade...

Åŋﮊo:
- É suficiente pra saber que sou dependente dela.

Fada:
- Sei como é... Como disse precisei que ele me ensinasse a viver de novo... Sou dependente dele...

Åŋﮊo:
- Gosta de ser dependente assim?

Fada:
- Às vezes... Mas pode ser perigoso.

Åŋﮊo diz:
- Perigoso como?

Fada:
- Nunca é bom depender de alguém... Mudamos facilmente...

Åŋﮊo:
- O que quer dizer com mudar?

Fada:
- Nem todo mundo ama para sempre... O que me garante que ele me amará amanhã?

Åŋﮊo:
- E você não o amará para sempre não?

Fada:
- Eu acredito que sim, mas e ele como saberei?

Åŋﮊo diz:
- E porque se preocupa, já perguntou pra ele o que ele acha sobre? Será que ele vai te amar? Não pode viver assim... Viva com o que sente agora: Ele te ama! Sente isso não sente? Posso voltar mais tarde se estiver ocupada.

Fada:
- Não, estou vendo as novidades do orkut, falando com você, minha médica e meu namorado... Sei que ele me ama, sei também que ele já disse isso a outras e eu também disse... Assim também sei que pode mudar, compreende?

Åŋﮊo:
- Fala com sua médica agora, algo errado?

Fada:
- Falo com ela o tempo todo...

Åŋﮊo:
- É tão amiga dela assim ou precisa mesmo de atenção 24 h por dia?

Fada diz:
- Sou também amiga dela... E ela não é mais tão minha médica vamos dizer...rsrsrs Hoje ela mora na Holanda... Åŋﮊo diz:
- Menos mal, então não tem nenhum problema não é?

Fada:
- Agora não mais... Quero te comprar.

Åŋﮊo :
- Gostei da conversa mas preciso ir, não escrevo nada que gosto há 3 dias, quero ver se sai algo hoje. Comprar como?

Fada:
- Quero saber sua idade...

Åŋﮊo diz:
- Comprar como?
Fada:
- Não quer saber nada? Podemos trocar informações...rsrs

Åŋﮊo:
- O que eu quiser saber procuro, sempre fiz assim. A propósito, já te achei e achei o teu namorado também. Mas não vi nenhuma médica nos seus amigos.

Fada diz:
- Oras senhor anjo... Todos procuramos... Pode se abrir um pouco? Sabe que não devia, pedi isso... Ou tem algo a esconder?

Åŋﮊo:
- Não escondo nada, nunca escondi, só não preciso dizer. Quando quiser saber, saberá. Rsrsr

Fada:
- rsrsrsr joga bem... Mas o jogo termina aqui, gosto de você enquanto Fada... Não gosto do que escreve, meu fake gosta do seu fake... Mas não gosto de jogos... Fiz besteira e me entreguei a você, esperava alguma retribuição... Mas não tive... Desculpe... Escreva sempre, leio o que escreve ou porque quero ou porque meu namorado lê... Hoje também escrevi, estava confusa por algo que senti ontem... Escrevi... Faça isso você também... Eu lerei.

Åŋﮊo diz:
- Leia hoje então. Boa noite!

As 23:29:45 Fada disse:
- Boa noite...



Não sei hoje, o conceito que fazem de mim, mesmo porque isso é indiferente, ajudar sempre, atrapalhar jamais, estou aí, sabem como me encontrar, então, querendo isso, façam. Sou humilde, reconheci meus erros, todos sejamos também.

Lembro-me agora do amigo de Tarso que dizia em uma carta "Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos".

Gosto das cartas do meu amigo de Tarso, assim como gostei da conversa com a FADA.

terça-feira, 3 de julho de 2007

- Um instante

Hoje o Åŋﮊo se encontrou com uma "pekena" fada. Pensou que estava fazendo mais uma bela amizade, mas algo deu errado, a fada não queria um amigo novo, não sei o que ela queria, mas com certeza, ela já tinha um anjo cuidando dela...

Fada: Do Latim fata é mulher notável pela beleza, encanto, bondade ou graça.

Foi uma conversa; uma rápida conversa, foi a primeira vez que eu encontrava aquela fada, me interessei pelas coisas que ela falava. A maneira como colocava cada palavra no seu devido lugar... Sabia o que queria e porque queria.

A fada ao me encontrar perguntou quem eu era, quantos anos tinha... Então penso, porque damos atenção a pessoas estranhas. Não contei a ela quem eu era e nem quantos anos tinha, enquanto ela tentava descobrir quem eu era, eu tentava encontra-la, pra saber quem era ela. Encontrar as pessoas é tarefa simples, saber quem elas são não. A fada enquanto falava comigo, falava também com mais duas pessoas, o amor dela a quem ela disse que devia a vontade de viver e com a médica dela. Fada tem médica? Soa estranho, mas não fiquem tão preocupados como eu fiquei, a médica não esta em nossa cidade, está longe nesse momento, Holanda se eu bem me lembro, a médica agora é amiga da fada. A fada não tem nada mais. Quanto ao amor dela, parece ser um bom rapaz... Despeja declarações de amor. Da médica da fada não posso dizer nada...

Saber um pouco de alguém, por alguém ter confiando em você é gratificante, fortalece a amizade, mas que amizade? Conhecem-se há menos de 5 minutos... Quanto tempo demora a ser fazer uma boa amizade? O tempo tão relativo hoje mostra que um instante é tão importante quanto um século. Em um instante se pode tudo e não se pode nada. Só um instante, um ignorado instante. Nele foi-se a engenhosa fada, com ela a magia.

Como não me identifiquei a fada parou de falar comigo, talvez tenha aprendido com a sua mamãe que não devemos falar com estranhos, levou tão a sério, que quando voltei pra falar com ela recebi uma resposta que encerrava qualquer chance de aproximação. Talvez eu devesse ter me mostrado melhor, sem asas talvez... Mas agora não será mais possível saber, porque a "pekena" fada sumiu, não a encontro mais, penso que não sou mais bem vindo.

A primeira impressão que se tem de uma pessoa não é fundamental, o que importa é o tempo que se passa com ela, mesmo porque acho que os melhores relacionamentos não dão certo na primeira vez, porque na primeira vez se enxerga qualidades e defeitos, escolhemos com o que vamos ficar ao longo dos dias, pois se escolhemos prematuramente, estamos sujeitos a uma escolha errada.

A fada vive um belíssimo amor estampado em fotos e versos, o Åŋﮊo contente com isso, sabe que já existe um outro anjo para protegê-la. Notei que nem sempre podemos nos aproximar de quem queremos, porque pode ser que já existam pessoas que ocupem lugares que nós provavelmente nunca ocuparemos, não digo que queria ser o anjo dela, nem o médico, mas quem sabe ter alguém com quem conversar e que pudesse entender, alguém que ame como você e saiba dizer o que fazer quando alguma coisa não dá certo...

Hoje o Åŋﮊo sente que magoou alguém, pede desculpas e promete nunca mais incomodar. O Åŋﮊo não é tão velho quanto parece, apenas pensa como se já tivesse vivido muita coisa.

A abordagem do vendedor, a abordagem do namorador, a abordagem da criança na vitrine enquanto é segurado pela mão, tudo em um instante, um instante que foi minuciosamente estudado, para que pudesse ser muito bem executado...

Assim, passada as histórias de fada e nobres amores, pensem sobre o primeiro e o último instante. Nele podemos ser felizes, fazer outros felizes e podemos também perder tudo isso. É desse modo que desejo que esse seja sempre o melhor instante.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

- Prato indigesto

O Å ŋ ﮊ o saiu pra almoçar hoje, estava acompanhado de duas pessoas, mas pensando bem era melhor ter almoçado sozinho...

Não conhecia nenhuma delas e durante o almoço era inevitável não ouvir o que elas falavam, conversavam como se o que diziam fosse um segredo, falavam de uma vida que não era a delas, eram comentários que não iria acrescer em nada o intelecto, e os comentários foram feitos. Vá saber por que se fala da vida dos outros, a vida dos outros não é a nossa, então vamos deixar os outros em paz. Pronto, é isso!

Mas o que estou dizendo, falando de duas pessoas que nem conheço para expressar meu descontentamento com a fofoca, estou fofocando, Deus me perdoe... Que coisa feia... a questão é: Isso pode ser evitado?

A vida alheia não deveria incomodar tanto como incomodam alguns, a coisa é tão sem sentindo, que a fofoca normalmente é pronunciada em segredo, com cuidado. Um cuidado que não se tem nem em respeito ao sono... As pessoas começam a falar baixo e assim ninguém poderá ouvi-las, mas se esquecem da consciência... Outros não fazem questão de esconder o que estão falando, não é a vida deles que estão publicando mesmo.

O apostolo dos gentios certa vez comentou "Com efeito, por que razão seria regulada a minha liberdade pela consciência alheia?" e não é que ele está certo, por que eu tenho que me preocupar com o que os outros pensam de mim, com o que eu faço se eu mesmo posso fazer isso?

Consciência do Latim conscientia é verdade; honestidade; retidão; honradez.

Todos são livres pra fazerem o que quiserem cada um tem a consciência que limita os seus atos, se não posso ajudar, se não vou ajudar, se não vou melhorar em nada a vida do "vizinho", por que comentaria o fato? E o que me deixa triste é que essa doença é um mal que assola até as pessoas que nós amamos, quem não tem um parente fofoqueiro? As pessoas fazem tanta questão de revelar a vida dos outros que se sentem mal em não fazê-lo e isso é verdade... Volta e meia em alguns ônibus da nossa cidade encontramos comadres com hora marcada pra falar da vida dos outros, não só ônibus como também praças, portões, botecos, salões de beleza...

O problema é que quando o ócio é constante na nossa vida, precisamos nos ocupar e como não há nada de interessante e capaz de chamar a nossa atenção, passamos a nos interessar pela vida dos outros. Ora, quanta bobagem, se a vida é o dom mais precioso que temos, porque não cuidamos dela, com certeza existem pessoas com melhor qualificação para cuidar de uma vida que não é a sua e não se assuste quando descobrir que a melhor pessoa pra cuida de uma vida é o próprio dono dela.

Falar dos outros pode e deve ser evitado. Não creio que quem faz fofocas não tenha nenhum problema a resolver, todos temos, uns mais outros menos, mas temos... Vamos resolver os nossos problemas.
As pessoas tratam a vida dos outros como pratos, quanto mais coisa se sabe maior é a variedade dentro do prato, pra depois poder degustar com um outro alguém... Só que o prato não é pra você, o seu já está à sua mesa... Mas parece que o do outro é mais gostoso e você se convence disso e acaba não desfrutando do seu próprio prato.

terça-feira, 26 de junho de 2007

- Velhas coisas de coisas velhas e essa tal responsabilidade

Hoje o Åŋﮊo se encontrou com uma velha amiga e como velhos amigos fazem contaram coisas velhas, coisas velhas de quando eram novos... Aquelas coisas que te envergonhava quando você era novo e que agora só de lembrar te emociona, seja rindo ou chorando, sabe do que estou falando? Isso mesmo, estou falando do tempo em que as responsabilidades eram outras...

Responsabilidade: do Latim responsabilitate é a obrigação de responder por certos atos próprios ou alheios ou por alguma coisa que lhe foi confiada.

O que sentiu agora? Viu quanta coisa está reservada agora a ti e que antes não estava? Eu percebi isso hoje ao rever essa velha amiga... Um nobre amigo chamado Paulo de uma cidade chamada Tarso escreveu em uma Carta a uma comunidade que lhe queria muito bem chamada Corinto algo como "Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança", ora por que eliminar as coisas de criança Paulo de Tarso?

As coisas de criança que ele diz são as responsabilidades de criança.

E desde quando criança têm responsabilidade? Tenho pena do ser humano que ela se tornará se não tiver. Hoje estavamos rindo de brigas, conversas, atos que dificilmente teriamos novamente. Existem dias em que acordamos e que nada parece estar certo... é uma sensação, uma certeza, não sei dizer, o que sei mesmo é: existem pessoas que não foram responsáveis em nenhum momento na vida e ainda hoje não o são, não deixaram de pensar e agir como criança, não vêem que não são mais anjinho adoraveis e que seus atos irresponsáveis não são tão engraçados, não usar a razão não é lá coisa que se deva dar algum mérito, diversas correntes por aí dizem pra girar o botãozinho e ser feliz, não somos máquinas, não existem nennum botãozinho...

Tantas pessoas se esforçam pra ensinar aos filhos que algumas coisas não são permitidas ou não são apropriadas e outras tantas fazem o contrário, não dão aos filhos nada, nem carinho, nem atenção e nem são responsáveis por eles.

Falavamos de um tempo em que anjos e demônios viviam correndo e gritando na hora da merenda. Os anjos eram os garotinhos e garotinhas que antes de sair de casa receberam lições de como se comportar, os demônios são aqueles que receberam, mas não ouviram direito...

Ser lembrado como o capetinha pela infância não é nenhum problema; o problema é carregar essas caracteristicas hoje em dia sem o diminuitivo. Ser lembrado assim pelas pessoas que sabem que de fato você não é uma pessoa boa. E o que tem a responsabilidade com isso...

A responsabilidade torna a pessoa boa, porque se é responsável sabe que precisa tomar conta das outras pessoas, principalmente das crianças para que um dia essas crianças, se tornem velhas e possam se encontrar com velhas amigas que já foram novas e que conversem sobre os anjos e demônios da hora da merenda.

...ao acaso